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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Cuidador

Estou a ficar "ligeiramente" cansada dos fins de semana, Desde 6ª ao fim do dia até 2ª de manhã, as conversas são sempre as mesmas da Avó para mim. Uma palavra que eu diga, despoleta a mesma "história" ou a mesma conversa. Sinto que as suas palavras, o vocabulário vai ficando diminuto e cada vez mais reduzido.

Também fiquei desconcertada quando lhe referi que a minha avó tinha feito isto ou aquilo. Ela olhou-me com o ar mais concentrado que lhe é possível e disse : "Tu tiveste uma avó? não me lembro de quem era, ou de onde morava!". E eu fiquei de olhos bem abertos a olhá-la, como se tivsse sido substituída por um fantasma.

Tenho muito medo de perder a paciência, de me passar, de não aguentar a "carga" e ser indelicada ou injusta. O livro que li e que me deu muitas instruções, fala da sobrecarga do cuidador. E ainda a situação é tão recente! Que Deus me ajude a ser correcta e justa e carinhosa. Sobretudo, porque a minha mãe que nem sempre foi carinhosa e compreensiva, precisa de tudo isso em doses excessivas e não há intimidade entre nós para eu lhe dar o que ela precisa...Sempre foi uma mãe autoritária e sem carinho fácil. Como conseguirei dar-lhe agora o que tanto precisa?

É uma aprendizagem que tenho de encetar.

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