Passeio da Memória: http://www.alzheimerportugal.org/scid/webAZprt/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Cuidador

Estou a ficar "ligeiramente" cansada dos fins de semana, Desde 6ª ao fim do dia até 2ª de manhã, as conversas são sempre as mesmas da Avó para mim. Uma palavra que eu diga, despoleta a mesma "história" ou a mesma conversa. Sinto que as suas palavras, o vocabulário vai ficando diminuto e cada vez mais reduzido.

Também fiquei desconcertada quando lhe referi que a minha avó tinha feito isto ou aquilo. Ela olhou-me com o ar mais concentrado que lhe é possível e disse : "Tu tiveste uma avó? não me lembro de quem era, ou de onde morava!". E eu fiquei de olhos bem abertos a olhá-la, como se tivsse sido substituída por um fantasma.

Tenho muito medo de perder a paciência, de me passar, de não aguentar a "carga" e ser indelicada ou injusta. O livro que li e que me deu muitas instruções, fala da sobrecarga do cuidador. E ainda a situação é tão recente! Que Deus me ajude a ser correcta e justa e carinhosa. Sobretudo, porque a minha mãe que nem sempre foi carinhosa e compreensiva, precisa de tudo isso em doses excessivas e não há intimidade entre nós para eu lhe dar o que ela precisa...Sempre foi uma mãe autoritária e sem carinho fácil. Como conseguirei dar-lhe agora o que tanto precisa?

É uma aprendizagem que tenho de encetar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Equilíbrio, novamente

A avó tem estado muito estável. No Lar de dia gostam muito dela, tenta ajudar as outras Senhoras, segundo dizem. E diz que lá está bem. No fim de semana estivemos fora e ela ficou lá de noite. Não estava muito convencida mas no domingo à noite quando a fomos buscar para dormir em casa, disse que até passou bem. Ficou num quarto de 2 camas, com outra Senhora. Gaba as empregadas, o enfermeiro que lhe "arranja" as unhas, etc.
Fico contente pois sentimos que está segura e protegida e o ambiente não lhe é hostil, pelo contrário.

Continua a esquecer-se de coisas banais. Hoje a falar com uma amiga ao telefone, contou que estava num Lar durante o dia para não estar sózinha mas teve de me perguntar onde era o Lar...
Tentamos que ela participe nas tarefas mais simples da casa para não se sentir excluir e vê-se que as faz com gosto.
Soubemos que o olho direito não vê quase nada e, como vê bem do esquerdo ao longe, a médica aconselhou que passasse a usar só óculos de perto, para lêr e afins. Ficou triste com o facto.

De qualquer modo, está tudo bem, que tudo se mantivesse assim... 

domingo, 4 de setembro de 2011

Passeio da Memória - 18 Setembro 09h30 - Oeiras

Equilíbrio

A semana correu calma e rotineira para a avó e para nós.
Ontem, a avó recebeu a visita das manas, uma que vive no estrangeiro e outra que vive a cerca de 50 kms, assim como o marido de uma delas. E foi ver a avó transformar-se: ela "liderou" os diálogos, cantou uma canção alentejana quando íamos de carro e muito directiva e "normal" enfrentou o chá e o resto da tarde.
Acho que os tios quando saíram de cá, foram convencidos de que o problema da avó, não era nada, só fruto da minha imaginação...

Fiquei muito impressionada e sem saber como reagir. Parecia que tinha voltado ao que era antes, uma mulher rija, algo controladora e determinada. Contudo, lá tive de me impôr para que tomasse banho e ela zangou-se e disse-me que ía-se meter na cama, não tardava nada, sem tomar banho e sem comer...
Calmamente, dei volta à situação e lá jantou normalmente.
De manhã, tínha-lhe arranjado o cabelo, pus-lhe os rolos e ficou muito bem.
Á noite, antes de se deitar, molhou o cabelo, não percebi porquê. Hoje, voltei a arranjar-lhe o cabelo e ela voltou a molhá-lo todo antes de sair à rua. Para além de ter partido os óculos com a porta do carro porque anda sempre com eles na mão...

Na próxima semana vai ter de ir de táxi para o Lar, vamos ver como vai reagir.
Da minha parte, estou tão centrada nela que me esqueço de mim. Esqueço-me de ir ao wc inclusivé.
Há dias, torci um pé e só quando m doeu muito, me lembrei de olhar para ele...estava muito inchado e continua...Tenho de encontrar o Equilíbrio.